O luto pela perda de um animal deve ser respeitado.

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10 de outubro de 2018

O luto é uma experiência particular e, dessa forma, atinge cada pessoa de um jeito diferente. Mas, independentemente da intensidade e do tempo em que dura o sentimento pela perda, o luto deve ser respeitado.

Lamentavelmente, a sociedade não costuma entender o luto sofrido por alguém que perdeu um animal. Causa estranheza, muitas vezes, uma pessoa passar por um período de sofrimento intenso após, por exemplo, falecer o cão ou gato que conviveu anos com ela. Essa cultura de insensibilidade diante da dor alheia prejudica a saúde mental dos tutores de animais, impedindo que sentimentos sejam expostos. Muitos deles deixam de demonstrar o que estão sentindo por medo da reação da sociedade, outros se sentem até mesmo incomodados e envergonhados por ficarem profundamente tristes com a morte de um animal.

Em um artigo publicado em 2003, pesquisadores afirmaram que “muitas pessoas – incluindo tutores de animais – sentem que o sofrimento sobre a morte de um animal não é digno de tanto reconhecimento como a morte de uma pessoa. Infelizmente, isso tende a inibir que as pessoas sofram completamente quando um animal morre”.

Organizações no exterior têm oferecido serviços para ajudar tutores a atravessar os momentos difíceis advindos da perda de um animal. Esse trabalho também é realizado no Brasil, em hospitais veterinários que contam com psicólogos.

Um estudo de 1988 concluiu que as pessoas consideram o animal mais próximo de si do que um membro mais importante da família. Um artigo analisou diversos estudos e concluiu que a morte de um animal pode ser “tão devastadora como a perda de um outro significativo humano”.

A diretora do Centro de Interação Homem-Animal da Universidade da Virgínia da Commonwealth, Sandra Barker, que realiza um trabalho de aconselhamento aos tutores após a morte dos animais e também ensina estudantes de medicina veterinária sobre a importância de entender o processo de luto. Diz que os tutores se sentem envergonhados ou surpresos por sofrer mais pela perda de um animal do que de um irmão ou pai, afirma que “quando eles percebem que a diferença é que o animal lhes deu constante companheirismo, e houve uma dependência total, então eles começam a perceber que é por isso que estão sofrendo tão intensamente”.

 

Respostas emocionais e comportamentais

Ao perder um animal pelo qual o tutor tem amor e apego, a pessoa pode apresentar respostas emocionais e comportamentais. Entre as primeiras estão: negação, incapacidade de aceitar a perda, lágrimas intensas, desorientação, insônia, descrença, choque, perda de apetite, raiva, culpa, isolamento, depressão, sentimento de que a pessoa nunca mais será a mesma, de que está enlouquecendo e sentindo que não pode tolerar a dor.

As respostas comportamentais incluem o desejo de dormir com objetos que pertenciam ao animal ou até mesmo a necessidade de evitar contato com tudo que era dele, deixando, inclusive, de retirar os pertences do local onde estão e até deixar de dormir na própria cama porque ela era dividida com o animal – no caso dos tutores que dormem com os cães ou gatos. A tentativa de manter a mesma rotina da época em que o animal estava vivo também é uma resposta comportamental. Em todos os casos, o aconselhado é procurar assistência médica.

 

Duração do luto

Não há tempo estabelecido para o período de luto acabar. Por tratar-se de algo de caráter totalmente pessoal, cada pessoa irá lidar com tal situação de uma forma diferente. Este momento de dor, inclusive, varia de intensidade e durabilidade de acordo com a importância do animal na vida do tutor.

Entretanto, com o tempo, o sofrimento vai se tornando mais tolerável e tende a ser substituído pelo sentimento de saudade, algo mais ameno e suportável, que permite que a pessoa leve sua vida adiante apesar da ausência do animal.

Gastar tempo com pessoas e outros animais que trazem conforto, realizar atividades que sejam do agrado do tutor e participar de eventos que sirvam para distrair a atenção são boas táticas para tentar mudar o foco da dor e aprender a lidar com ela. É importante, também, que o tutor se esforce para lembrar de todos os bons momentos vividos ao lado do animal, como uma forma de consolo.

A adoção de outro animal, quando o tutor já está preparado para isso, também pode ser uma forma de ajudar a passar pelo luto. Afinal, adotar um novo amigo não é uma forma de substituir seu antigo cãopanheiro, como muitos lamentavelmente pensam, pelo contrário, é uma forma de honrá-lo salvando novas vidas.